10 de março de 2010 23:50

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Vidro ganha espaço na decoração

Bárbara Ladeira

Especial para o Diário

O vidro ganha cada vez mais espaço em projetos arquitetônicos. O material, que já foi utilizado apenas em tampas de mesas, agora está presente como divisor de ambientes, nas coberturas e até em aplicação de pisos. Segundo especialistas, peças de vidro são curingas que podem ser utilizadas em quaisquer ambientes ou propostas de decoração.
O material é muito utilizado por profissionais do setor devido à sua versatilidade e possibilidades de implantação. Arnaldo Muzio Júnior, arquiteto de São Bernardo, utiliza o vidro em grande parte de seus projetos. “Eu sou fã do vidro. Combina com qualquer lugar e com todos os tipos de projetos, além de estar sempre na moda”, diz.
Uma das principais vantagens do material é a capacidade de iluminação. Com a utilização de luz natural, poupa-se o consumo de energia elétrica. Segundo Muzio, utilizar vidros representa uma abertura de possibilidades em relação à claridade do ambiente. “É ruim quando a pessoa quer luz e não consegue ter, porque a casa é toda fechada. Com o vidro, caso o morador não queira ter a iluminação o tempo todo, basta colocar uma persiana ou uma cortina”, explica.
Augdan de Oliveira Leite, arquiteto de Santo André, também declara ser adepto do material. “O vidro traz muita leveza e pode ser usado em todos os lugares”, comenta.
Estruturas desse material não são tão frágeis quanto se imagina. Atualmente, o uso mais intenso de grandes peças de vidro tem criado novas possibilidades na decoração. Em projetos, Leite já lançou mão desse tipo de estrutura para criar corrimões de escada, tetos e divisores de ambientes. O material também pode ser utilizado em degraus e pisos em andares superiores aos da entrada do imóvel.
Mesmo em ambientes que requerem privacidade, como banheiros e quartos, a utilização não é limitada. Jardins, vãos e salas também se configuram como um bom local para instalação de peças em vidro. O material oferece um aspecto limpo e sensação de amplitude, além da integração com o ambiente externo, devido à transparência. O produto figura entre as melhores opções para quem quer construir com estilo, sem comprometer a linha de decoração da casa.
 
Cores – Trabalhar com peças coloridas é possível graças às películas de insulfilme e ao material laminado que podem ter diversas cores. No entanto, os especialistas não são adeptos deste tipo de aplicação.
Arnaldo Muzio Júnior prefere utilizar os vidros cristalinos pois aplicações coloridas tendem a vulgarizar o ambiente. “Eu acho muito inadequado. O máximo que utilizo é o vidro fumê ou esverdeado”, conta. Materiais coloridos podem limitar a decoração do ambiente, dificultando a escolha de peças diante da necessidade de combinação.
A arquiteta Andréia Cezar, de Santo André, vê na utilização da cor um prejuízo para o estilo do material, uma vez que o papel de transparência do vidro perde sua validade. “Acabamos perdendo a vantagem do material, que é justamente a claridade e a interação com jardins ou outros ambientes externos”, explica.
Cores também podem se tornar um transtorno quando a proposta é manter o ambiente sem reformas durante algum tempo. “As pessoas enjoam rápido de cores muito fortes. Se quiser trocar os móveis ou a cor da parede é preciso cuidar das combinações”, afirma Andréia.
A arquiteta só usa insulfilme em caso de necessidade. Em um de seus projetos recorreu a uma película espelhada em uma cobertura, evitando a incidência direta da luz solar. “Procuramos um material específico que refletisse o calor e a iluminação do sol, para não esquentar o ambiente nem deixá-lo muito exposto aos efeitos da luz”, explica.
 
Cuidados – Uma das preocupações para a instalação da peça é mantê-la em pontos que não sofram incidência direta do sol. O excesso de luz pode encurtar a vida útil do piso e de outros elementos de decoração.
  Para isso, Andréia prefere utilizar vidros em recintos voltados para a face Sul do imóvel. “Colocar o vidro em locais inadequados danifica o mobiliário. Caso seja necessário, a saída é utilizar películas ou cortinas para proteção”, ressalta.
Arnaldo Muzio Júnior. destaca que esse tipo de instalação não deve ser feita sem o auxílio de um profissional. “É preciso conhecer as especificações técnicas de cada tipo de vidro para colocá-los nos locais mais adequados.”
(supervisão de Adriana Mompean)

 

Escolha do material adequado requer cuidado

 

Escolher o vidro adequado para cada ambiente da casa requer cuidados especiais. Aspectos como espessura, fragilidade e composição do material devem ser considerados com o auxílio de um profissional para evitar acidentes.
Nelson Tanaka, proprietário da Vidro & Cia, de São Bernardo, aponta que não existem muitas variedades de material, sendo que cada peça possui sua função específica no ambiente. “Tem de tomar cuidado para não colocar vidros inadequados, onde há necessidade de materiais mais resistentes.”
O vidro comum, sem nenhum tipo de tratamento, é mais utilizado em janelas e requer a utilização de esquadrias mais pesadas. No entanto, o material é mais delicado, inadequado para ser usado em peças grandes. “Não dá para fazer uma divisão de ambientes com vidro comum”, alerta Tanaka.
O vidro temperado foi criado para ser mais resistente. “Na produção, o material sofre um choque térmico e as partículas ficam tensionadas, tornando o vidro de quatro a cinco vezes mais resistente”, afirma. Essa espécie de material é mais adequada para divisão de ambientes, uma vez que a estrutura é mais forte e não precisa de utilização de esquadrias. “É a melhor peça para quem quer resistência.”
Já o vidro laminado é composto por uma espécie de película de plástico entre duas camadas do material. A principal vantagem, segundo Tanaka, é a segurança em caso de quebra de alguma peça. “Os cacos ficam presos ao plástico e, portanto, não oferecem risco ao morador da casa”, explica. Além disso, o material dispõe de cores variadas e é ideal para coberturas e fachadas. — BL

   


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