20 de agosto de 2008 09:12

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Moradores se mobilizam contra prédios populares em Sto.André

Do Diário do Grande

Moradores do Jardim Santo Antônio, em Santo André, estão se mobilizando contra a construção de um conjunto habitacional popular entre as ruas Itatiaia e Vinhedo. Eles alegam que o empreendimento, que será erguido com subsídios do PAC (Plano de Aceleração do Crescimento) e abrigará famílias cadastradas na prefeitura, vai desvalorizar os imóveis e o comércio da região.
O conjunto habitacional em questão se chamará Itatiaia e será construído em um terreno da propriedade da prefeitura, próximo ao Hospital Bartira. De acordo com a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano e Habitação, os apartamentos terão cerca de 45 metros quadrados, com dois quartos, e a entrega está prevista para setembro de 2009. A área receberá três prédios de cinco a oito andares.
Segundo o engenheiro Luciano Federico Barbosa - que tem um sobrado próximo aos futuros prédios -, os moradores da região sempre brigaram para que o terreno abrigasse uma praça ou qualquer outra área de lazer. "Mas agora a prefeitura simplesmente decidiu ocupar o terreno com dezenas de apartamentos populares e sequer comunicou alguma coisa para nós", afirma. "Com essa favelização vertical, nossas casas serão desvalorizadas", completa.
Barbosa diz ainda que se a prefeitura tivesse vendido o terreno para particulares, teria conseguido dinheiro para comprar uma área muito maior em um bairro mais popular, "onde poderia construir muito mais moradias".
O empresário Elvis Ferreira, que também reside no Jardim Santo Antonio, concorda que "há outros locais em Santo André mais adequados para esse tipo de empreendimento". "Aqui é um bairro de classe média, estritamente horizontal. Praticamente não existem prédios aqui. Além disso, o bairro não tem uma estrutura ideal para receber outro tipo de comunidade", opina.
Prefeitura - A diretora do Departamento de Habitação de Santo André, Walkíria Gois, por sua vez, afirma que o conjunto habitacional "será construído com qualidade superior e ótima infra-estrutura e qualidade visual, portanto as moradias não serão nem melhores nem piores que as da classe média".
"O entorno (do terreno) vai ficar muito mais interessante do que é hoje. A área até pouco tempo era usada de forma irregular, e agora passará a ter uma função social. O local vai atender a uma antiga demanda da cidade, que é a questão da habitação. Esse projeto vai colocar famílias em área com infra-estrutura, com escola ao lado, e isso vai ajudar a minimizar a questão da violência. Moradia é um direito para todos", argumenta.
Walkíria também rebate a acusação de que a obra é irregular - os moradores alegam que o terreno é pequeno para abrigar três prédios e questionam a falta de uma placa com a indicação do engenheiro responsável.
"Esta obra é recém iniciada, e ainda está na fase de limpeza e instalações do canteiro de obra. Nos próximos dias serão instaladas as placas com o nome do engenheiro responsável, Antônio de ro, e da empresa contratada para a execução, a Lima de ro Engenharia e Montagem Ltda.", explica a diretora.
Ela acrescenta que o projeto executivo do conjunto habitacional "foi elaborado por técnicos capacitados (engenheiros e arquitetos), com aprovação nesta prefeitura e nos órgãos competentes, inclusive junto ao Ministério das Cidades e Caixa Econômica Federal, que co-fiscalizam a execução da obra".

 


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