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Tremor gera discussão sobre imóveis
Vanessa Fajardo
Do Diário do Grande ABC
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O tremor de terra que atingiu cidades de cinco Estados na noite da última terça-feira mostrou a fragilidade de pessoas que não estão acostumadas a enfrentar desastres naturais. Ao mesmo tempo, testou o modelo de construção civil adotado pelo Brasil, que não prevê absorção de abalos sísmicos
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Felizmente, os resultados não foram drásticos. Mas o fato é que caso a natureza resolva se manifestar mais freqüentemente em forma de terremotos com magnitude maior do que o último, de 5,2 graus na escala Richter, muita coisa terá de ser mudada, a começar pela estrutura de casas e edifícios.
“As normas de construção no Brasil não consideram a hipótese de tremores. Não acho que seja falta de precaução, pois as chances de terremoto são remotas. Mas se eles começarem a existir, os conceitos terão de ser revistos”, reforça o professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP, Nabil Bonduki.
De acordo com o especialista, em países como Chile, Japão e Estados Unidos, onde este tipo de fenômeno é mais comum, as edificações têm estruturas flexíveis, o que permite uma oscilação maior.
Modelo esbelto - A tecnologia permitiu avanços na construção civil. Segundo o professor e coordenador do curso de Engenharia Civil do Centro Universitário da FEI, Kurt André Amann, dos anos de 1990 para cá, o ‘modelo esbelto’ foi adotado nos edifícios. Ele prevê uma estrutura mais flexível, com peças menores e mais resistentes.
“São lajes planas e estruturas onde o prédio não tem ligamento, só pilares apoiando as lajes. O sistema pode gerar uma oscilação maior, mas funciona de maneira muito positiva, apesar de causar uma sensação de desconforto.”
O professor lembra que nas normas atuais não há previsão de abalos sísmicos. No entanto, Amann descarta a necessidade da criação de novas regras para a construção civil, pelo menos neste momento atual. “Devemos acompanhar eventos futuros e o estudo dos geólogos e só depois pensar em uma revisão normativa.”
Para o engenheiro civil e conselheiro do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo, Carlos Alberto de Moraes Borges, pensar em um novo modelo de construção avaliando as mudanças climáticas e interferências da natureza, é um desafio não só do Brasil, mas pata todo o mundo.
“É uma mudança complexa e precisa ser feita de maneira gradual.”
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