Dívidas antigas prejudicam mutuário
Luciele Velluto
Do Diário do Grande ABC
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A compra da casa própria ou o investimento em imóveis é o sonho de muitas pessoas. Mas na hora de realizar esse desejo, os cuidados devem ser mais que redobrados para que uma aquisição à vista ou um financiamento não vire uma dor de cabeça.
Esse é o caso do morador de São Bernardo Jorge Dikof Mayer, que há dois anos adquiriu um apartamento financiado pela Caixa Econômica Federal e hoje não consegue vendê-lo por causa de dívidas do terreno onde fica o imóvel (que era da Construtora Ipoã) anteriores a 2006.
“Fiquei surpreso quando pedi uma certidão negativa do imóvel e saíram diversas dívidas. Por causa disso, não consigo vender o apartamento e passar o contrato de financiamento para frente, pois ninguém quer assumir algo com o risco de ter prejuízo ou até perder”, conta Mayer.
Segundo a certidão, no terreno onde se encontra o condomínio em que Mayer comprou o imóvel há dívidas de ISS (Imposto Sobre Serviço) de 2001 e contas atrasadas de água e esgoto de 2003, da DAE (Departamento de Água e Esgoto, empresa que prestava esse serviço na cidade na época).
De acordo com o presidente da Cadmesp (Consultoria em Defesa dos Mutuários), Marcelo Donizetti, há risco de o condomínio assumir a dívida e até Mayer perder o apartamento. “Se a Prefeitura resolver executar a dívida, o que pode ser feito mesmo com o financiamento da Caixa, pode haver prejuízo sim, até mesmo perder o imóvel”, explica Donizetti.
O presidente da Cadmesp também explica que o banco estatal não poderia ter feito o financiamento de um imóvel com pendências. “A lei é clara. A Caixa só pode financiar um apartamento que esteja livre e desimpedido. Por isso, a responsabilidade é tanto da construtora quando do banco”, conta. “E isso ainda precisa ser levado ao Ministério Público Federal, pois a Caixa foi contra a lei”, completa.
Banco - A Caixa afirma que todos os financiamentos realizados passam por um levantamento de idoneidade cadastral de quem está comprando e vendendo o imóvel, assim como de seus respectivos cônjuges.
Na época que foi feita a pesquisa com a Ipoã e com Mayer, nenhum dos dois apresentaram restrições ou impedimentos para a realização da operação de financiamento da unidade em questão.
O banco estatal também colocou à disposição a gerência da agência Baeta Neves, a qual realizou a operação de financiamento para Mayer.
Para Ipoã, dívidas não prejudicam comprador de imóvel
A Construtora Ipoã afirma que as dívidas do terreno não afetam o imóvel de Jorge Dikof Mayer. Segundo a empresa, as contas não constam na inscrição do apartamento, mas sim da área comum no condomínio.
O problema de Mayer está sendo analisado pela construtora, que justifica que as dívidas são da própria empresa, e não do condomínio.
Segundo a companhia, as dívidas também não foram pagas ainda porque estão sendo contestadas judicialmente, uma ação que apenas se refere à empresa e à Prefeitura, e não deve afetar os proprietários dos imóveis em São Bernardo. A Prefeitura de São Bernardo foi procurada, mas não respondeu à reportagem.

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