2008: ano do imóvel popular na região
Gabriela Gasparin
Especial para o Diário
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Com um crescimento na casa dos 60% no mercado imobiliário do Grande ABC nos primeiros dez meses de 2007 –, segundo dados do Secovi (Sindicato da Habitação) –, onde unidades de luxo representaram 24% dos negócios e as voltadas para a classe média praticamente preencheram o restante, o foco das construtoras para 2008 na região é habitação popular.
Pelo menos 5.500 unidades para população com renda de até cinco salários mínimos estão previstas para o ano que vem na região. O número representa 90% de todos os lançamentos nas sete cidades entre janeiro e outubro deste ano, que foi 6.061 imóveis.
Só em Mauá, a construtora MRV Engenharia tem um projeto de cerca de 4.000 unidades, com valores entre R$ 70 mil e R$ 110 mil, segundo o vice-presidente executivo de relações com investidores da construtora, Leonardo Corrêa. Os preços variam de acordo com a quantidade de dormitórios. A empresa também planeja a construção de 500 apartamentos em Santo André.
Outra empreiteira com lançamentos previstos para o setor na região é a Goldfarb Construções, com projeto para 1.000 unidades em Santo André a preços na faixa de R$ 90 mil. A informação é do presidente Milton Goldfarb.
“O aumento da disponibilidade de crédito, com financiamentos mais longos, possibilita que as prestações caibam no bolso do consumidor de menor renda”, disse Corrêa.
Para Milton Bigucci, vice-presidente do Interior do Secovi e presidente da Acigabc (Associação das Construtoras, Imobiliárias e Administradoras do Grande ABC), com o crescimento econômico e maior acesso da população ao crédito, a procura por habitação virá da população de baixa renda, uma vez que é nessa faixa que está focada a falta de habitação no País.
Financiamentos - Apesar de interessadas no setor popular, muitas construtoras ainda vêem a região como área nobre para a construção civil. Dos 25 novos empreendimentos para aprovação de financiamento no Grande ABC pela Caixa Econômica Federal, apenas sete são destinados para a habitação popular, com unidades na faixa R$ 80 mil. As informações são de Marcelo Damião de Paula, gerente regional de Habitação da Caixa no Grande ABC. “O resto são unidades para classe média”.
Caixa financia construção para baixa renda
Para incentivar a construção de habitação popular, a Caixa Econômica Federal começa a firmar convênios com construtoras para financiar lançamentos para empreendimentos focados no público que ganha até cinco salários mínimos.
A instituição conta com 95% de participação nos financiamentos para baixa renda no mercado. Paralelamente, os financiamentos de compra dos imóveis serão pré-avaliados pela construtora e encaminhados para a Caixa. O processo também visa agilizar o fechamento do negócio.
Como incentivo, o mutuário que pagar em dia as prestações durante um ano receberá 20% de aumento na capacidade para o ano seguinte.

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