Procura maior faz dobrar o valor de alguns imóveis no Grande ABC neste ano
Gabriela Gasparin
Especial para o Diário
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O acesso facilitado ao crédito e o prolongamento dos prazos de financiamento, somados ao crescimento do mercado imobiliário na região – que deve atingir alta de 30% neste ano ante 2006, melhor resultado desde 1978 – acarretaram em aumento de até 100% no valor dos imóveis no Grande ABC nos últimos seis meses.
Os dados são de imobiliárias da região ouvidas pelo Diário. Por causa do acréscimo da demanda, encontrar um apartamento por menos de R$ 80 mil nas sete cidades, preço popular médio menos de um anos atrás, é missão quase impossível atualmente.
“Uma coisa puxa a outra. Os terrenos vão acabando e os preços encarecem. Com isso, o valor da construção sobe e é repassado ao consumidor”, explicou Miguel Colicchio Neto, da Colicchio Imóveis, de Santo André. Fora esses fatores, o aumento da procura, por causa das melhores condições de compra, faz os preços crescerem em 20% em todos os bairros da cidade, acrescentou Colicchio.
Um imóvel de três dormitórios, suíte e duas vagas, que valia cerca de R$ 250 mil, não sai por menos de R$ 350 mil hoje, alta de 40%. “Tem casos que ultrapassam mesmo os 20%”, disse.
A mesma opinião tem Estefano Lukesic, da Soinco Imobiliária, também em Santo André. “Faço pesquisas de preço na região e observei altas de até 100% em alguns imóveis nos últimos seis meses.”
Milton Casari, da Casari Imóveis, em São Bernardo, também notou alta entre 10% e 20% nos preços dos imóveis na cidade. “Com o crédito e financiamento à vontade, o consumidor vê se o financiamento cabe no bolso.”
Segundo ele, há casos de consórcios que foram fechados a R$ 89 mil, em 2006, que estavam em R$ 125 mil neste ano, acréscimo de 40%. “Quem esperou para comprar, pagou mais caro no mesmo apartamento.”
Os consumidores já sentem as mudanças no bolso. A advogada Melissa de Souza, 31 anos, mora em Votorantim, Interior do Estado, e pesquisa imóveis em Santo André há um ano. “Os preços aumentaram muito nos últimos quatro meses. Não vale a pena.”
Selo ambiental é lançado para setor imobiliário
A consciência ambiental, cada vez mais presente na sociedade brasileira, passa a atingir também o setor imobiliário. O Instituto Valor Ambiental, empresa de consultoria voltada ao meio ambiente, lançou o selo IVA (Índice Valor Ambiental) destinado a empreendimentos imobiliários.
O índice mede o nível de qualidade de vida e bem-estar que um projeto do setor pode propiciar aos seus ocupantes. De acordo com um dos diretores do instituto, Edson Ferreira, a iniciativa foi desenvolvida especialmente para o Brasil e é inédita no mundo.
Para garantir o selo a um imóvel, são analisados 13 tópicos, entre eles a qualidade do ar, da água, do ruído, além do uso e ocupação do solo. Itens como saneamento e energia também são verificados.
“É avaliada a qualidade de vida que o ambiente, composto pelo imóvel e seu entorno, propicia a seu ocupante”, explicou o diretor do índice, Marlucio Borges.
Mauá e Diadema são opções baratas
O crescimento imobiliário no Grande ABC atinge também cidades como Diadema e Mauá – que são alternativa de imóveis mais baratos na região. Por causa da alta da demanda, o aumento nos preços em ambos municípios está entre 20% e 70% no último ano, de acordo com profissionais do setor imobiliário.
“As casas em bairros próximos ao terminal de transporte urbano são as mais procuradas em Mauá”, disse João Batista Ferreira, proprietário da Guarany Imóveis, na mesma cidade. De acordo com ele, as unidades respondem as expectativas de uma classe com renda na faixa de R$ 2.000. “A partir dessa média salarial, já dá para financiar um imóvel. Quem tem poder aquisitivo maior não tem o costume de procurar imóveis em Mauá.”
Diferentemente do que ocorre em São Bernardo e Santo André, ainda não há muitos lançamentos verticais (prédios) na cidade. No entanto, um projeto de prédios com comportará 3 mil unidades está previsto no município. Segundo Ferreira, a alta nos preços dos imóveis chega a ultrapassar os 50%. Uma residência de três dormitórios – que custava cerca de R$ 90 mil antes – está na casa dos R$ 150 mil hoje.
Diadema - De acordo com Carlos Tadeu de Oliveira, delegado municipal de Diadema do Creci (Conselho Regional de Corretores de Imóveis) e proprietário da Tabajara Imóveis, no bairro de Piraporinha, as altas também são notadas na cidade.
“Como o financiamento de lançamentos pode ser de 100% do valor do imóvel, a procura por novos cresce muito e a alta nos preços ultrapassa 20%”, explicou.
Oliveira acrescentou que há escassez de terrenos na cidade. Segundo ele, há registro de um terreno de 120 metros quadrados a R$ 65 mil.
“O valor é cerca de R$ 50 mil, no entanto, o proprietário diz que a menos ele não vende”, explicou.
Enquanto a procura por novos na cidade é crescente, a venda de imóveis usados tem caído. “Nesses casos, é necessário dar 20% de entrada. Há casos em que o preço caiu em 10%”, disse.

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