20 de agosto de 2008 08:51

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Ganho com aluguel não atinge esperado


Gabriela Gasparin
Especial para o Diário


O segmento de locação no Grande ABC não está nos seus melhores dias. Empresários do setor sofrem com a escassez de ofertas a preços populares diante da alta demanda pelo padrão. Também há dificuldades na hora de aumentar o valor dos aluguéis. Isso significa que o cenário torna-se desfavorável para a compra de imóveis como investimento.
Segundo Antônio Lemos, que possui uma imobiliária em São Bernardo há 30 anos, o objetivo de rendimentos para quem aluga um imóvel sempre foi de 1% do valor total, o que dificilmente acontece. “Até 0,8% ainda é um bom negócio. Hoje em dia, quando muito, os negócios são fechados em torno de 0,5%”, disse. Os rendimentos com a aplicação na poupança, por exemplo, são de 0,7%.
Lemos revela que a procura por locações a preços populares é grande, mas é difícil encontrar ofertas. “Quando o preço está bom, há briga entre os clientes. A procura é de cerca de quatro interessados por imóvel”, revelou.
A mesma opinião tem José Cândido Santana Filho, que possui uma imobiliária em Santo André há 10 anos e também aluga imóveis. “Se temos um bem, o ideal é que ele seja fonte de renda. Do jeito que está, é mais fácil vender o imóvel e aplicar.”
Segundo ele, é difícil conseguir aumentar o valor do aluguel até mesmo com as pequenas altas do IGP-M (índice Geral de Preços do Mercado), que baliza os aumentos no setor e está em 4,63% na variação dos últimos 12 meses. “Às vezes a gente dá graças a Deus quando um inquilino sai, porque dá para colocar o preço um pouco mais acima.”
Perfil - O economista Andrew Storfer, vice-presidente da Anefac (Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade), revela que o investimento em imóveis é perfil de pessoas mais conservadoras, que preferem ter um patrimônio como garantia.
“A gente tem de levar em conta que quem aluga não só recebe um valor correspondente ao mês como conta com a valorização do imóvel”, diz.
No entanto, ele ressalta que uma possível desvalorização também pode vir a acontecer. “A partir do momento em que se opta por alugar, há os gastos com reformas”. De acordo com Storcer, também é importante se atentar se a região do imóvel se valoriza ou não.
“Quem tinha apartamentos ou casas na Avenida Industrial, em Santo André, há muito tempo, se deu bem”. Os preços por lá cresceram bastante por causa do centro comercial criado ao redor da via, de acordo com Storfer. O economista revela que o ideal é ser empreendedor. “Se local se desvalorizar, dá para vender e comprar algo em outra região.”

 

 

Ganho com aluguel não atinge esperado

 

A queda em locações na região, de janeiro a julho deste ano, está acumulada em 4,61%, segundo dados do Creci SP (Conselho Regional de Corretores de Imóveis de São Paulo). Na comparação de julho ante junho, o número de locações no Grande ABC diminuiu 2,43%.
Apesar da redução, o presidente do Creci-SP, José Augusto Viana Neto, é otimista. Segundo ele, os aluguéis poderão ser fixados a 1% do valor do imóvel em um ano – atualmente, os valores mal chegam a 0,5%.“Com o melhor desempenho da economia, a tendência é o mercado crescer.”
Para o economista Carlos Eduardo Oliveira Júnior, conselheiro do Corecon-SP (Conselho Regional de Economia em São Paulo), o mercado imobiliário está em franca expansão. “É um bom investimento comprar imóveis para locação. Hoje em dia, o que está na liderança é o fundo de ações, mas um imóvel é sempre boa opção para quem é mais conservador”, afirma.
É o que pensa a auxiliar de escritório Maria Lira Conrado, 54 anos, moradora de Santo André. Ela tem um apartamento alugado em São Bernado e não se importa com o baixo preço do aluguel. “Faz dois anos que não aumento o valor. Cobro R$ 460 e era para estar em uns R$ 600. Mas acaba servindo como uma espécie de poupança”, pondera. (G.P.)

Longos financiamentos são opção para fugir do aluguel

Com a oferta dos bancos de financiamentos imobiliários em até 30 anos, a locação não tem sido bom negócio nem para os inquilinos. A comerciante Dirce Cassala, 49 anos, vive de aluguel há três anos em Santo André e está em busca de financiar um imóvel.
“Estou pesquisando. Com o dinheiro do aluguel não dá para financiar um imóvel do mesmo padrão da casa que alugo, mas pelo menos é um investimento em algo que um dia será meu”, explica.
A casa em que ela mora atualmente está na faixa de R$ 210 mil. O aluguel está em torno de R$ 1.000. Com o dinheiro, ela pode parcelar um imóvel de R$ 130 mil em 30 anos, com primeiras parcelas a R$ 1.100 e as últimas por cerca de R$ 300.
A família da aposentada Maria Cecília Martineli, 51 anos, que mora de aluguel há 16 em Santo André, está prestes a fechar um financiamento de 25 anos de um apartamento. As pesquisas de preço começaram em outubro do ano passado. “As parcelas serão de R$ 600, um pouco mais do que o aluguel, que é R$ 400. Mas estou animada, porque é um investimento para a família.”
Maria Cecília mora com dois filhos, que a ajudarão a pagar o apartamento. “Se nesses 16 anos que moro de aluguel eu tivesse entrado em um financiamento, já estaria quase na reta final”, disse.
A pretensão da família é terminar de pagar o novo apartamento antes mesmo de completar os 25 anos. “Não pode ficar pensando muito. Senão a gente não faz nunca. Vamos tentar juntar dinheiro para quitar o valor antes.” (G.P.)


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


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