20 de agosto de 2008 08:53

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Cresce a procura por consórcio imobiliário


Tauana Marin
Especial para o Diário


Para fugir da burocracia e dos juros bancários, muitas pessoas estão optando por comprar cotas de consórcios imobiliários. Segundo levantamento da Abac (Associação Brasileira das Administradoras de Consórcios), em abril do ano passado foram assinados 333 mil contratos no setor. Neste ano, o número saltou para mais de 420 mil – um aumento de 26%.

Para o presidente regional da Abac São Paulo, Luiz Fernando Savian, a carta de crédito pode financiar até 100% do valor do imóvel, sem a necessidade de investimento de capital de entrada.

FGTS - Além disso, o comprador tem a possibilidade de usar o FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço), que pode ser sacado para efetuar lances. No caso de o preço da propriedade ser superior ao da carta, o consorciado pode completar o valor.

Savian explica que no consórcio se paga o valor do bem mais a taxa de administração mensal, que é de 0,2% sobre o valor do imóvel, em média. Se comparado com a taxa de juros cobrada pelos financiamentos bancários (taxa de 1% ao mês), é cinco vezes menor.

Sistema - O presidente da Abac explica ainda que os grupos de consorciados têm, em média, cerca de 360 participantes. Todos os meses, os grupos se reúnem para o sorteio e depois para as propostas de lance. Mensalmente, uma pessoa por grupo é sorteada e duas contempladas por meio do lance, que tem como valor mínimo, 10% do montante do crédito, e como máximo, o valor total do saldo devedor.

“Não temos como mensurar um prazo médio no consórcio, mas para o consorciado oferece um lance o tempo de espera para ser contemplado é de aproximadamente 12 meses para que essa pessoa seja contemplada”, conclui o presidente.


 

Modalidade éopção para quem não quer mais pagar aluguel

 

 

O sonho de comprar a casa própria se concretizou por meio do consórcio imobiliário para a dona-de-casa Filomena Rosendo, 36 anos, moradora de Santo André. Com a casa própria, ela deixou de pagar, todo mês, aluguel de R$ 290 em Mauá.

Ela e seu marido decidiram comprar uma cota de consórcio em 2005, pela Administradora Remaza Nova Terra. No ano passado, em um dos sorteios, Filomena foi contemplada e pôde resgatar seu crédito, no valor de R$70 mil.

Para pagar as parcelas co consórcio, ela utilizou o FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço) para dar um lance no valor de R$ 38 mil. Com a entrada faltou R$ 32mil de saldo.

Quitação - Com metade do crédito pago, a dona-de-casa quitou no mês passado o consórcio imobiliário. “As parcelas que eu pagava eram de aproximadamente R$ 250. Na última, paguei R$ 409 para poder quitar as parcelas do consórcio”, explica.

Reajustes - Segundo a dona-de-casa, todos o meses as parcelas sofrem uma pequeno reajuste, mas que já está avisado no início do contrato. “Somos avisados desses acréscimos quando fazemos o contrato”, explica.

Melhor opção - Para ela, fazer um consórcio imobiliário, foi a melhor opção, dentre as opções existentes hoje no mercado.

“Como não tínhamos condições de comprar nossa casa à vista, e não queríamos pagar altas taxas de juros, optamos pelo consórcio”. E conclui: “É um negócio garantido e menos burocrático”, complementa Filomena.

 

 

Antes de comprar a casa própria é preciso planejar o orçamento

 

 

Ter a casa própria é o sonho de muitas pessoas. No entanto, é preciso tomar cuidado para não transformá-lo em pesadelo. Segundo o diretor-presidente do grupo Confirp (Contabilidade Fiscal, Responsabilidade e Pontualidade), Reinaldo Domingos, 70% das pessoas hoje estão endividadas por falta de planejamento.

O consultor financeiro acredita que a educação é a melhor estratégia para não se endividar. “Planejar o orçamento mensal é a melhor coisa a se fazer”, explicou.

Segundo ele, o primeiro passo para se comprar a casa própria é analisar que tipo de residência a pessoa pretende ter ; em que lugar; o tamanho e, o mais importante, quanto vai custar.

O segundo é estruturar um plano de ação em longo prazo. “Esse planejamento ajuda a pessoa, futuramente, a não entrar em um desequilíbrio financeiro. É preciso contabilizar tudo, desde cafezinho até as contas mais pesadas”, alerta.

Por último, a pessoa deve estudar as modalidades de empréstimo oferecidas atualmente no mercado. “Se o interessado já fez um planejamento e pode dispor de uma parte da renda mensal para pagar prestações, e quer comprar esse imóvel em longo prazo, o consórcio é uma boa opção, desde que haja comprometimento com o pagamento das parcelas”, explica Domingos.

Mas, se a idéia é comprar um imóvel e ficar em dia com o bolso, o consultor dá um conselho: a poupança é a melhor opção. “Se você guardar R$ 500 por mês, no prazo aproximado de oito anos, o poupador terá cerca de R$ 50 mil. Ou seja, poderá comprar à vista e durante esses anos não vai pagar juros”, conclui.

 

 

 

Administradoras da região faturam com consórcio de imóveis

 

 

As administradoras de consórcio comemoram o crescimento do setor no Grande ABC. A Consórcios Remaza Nova Terra é um exemplo. Segundo o diretor comercial Ricardo Jaques, o primeiro semestre deste ano já registra um crescimento de 30% se comparado ao segundo semestre do ano passado.

Somente a filial da administradora em Santo André registrou no mês passado venda de 38 cotas. “Essa unidade é uma das melhores e mais atuantes dentro da empresa”, diz Jaques. O primeiro semestre deste ano apontou contratação de 203 consórcios. Ao comparar com o mesmo período de 2006 – quando este número era de 167 – houve um aumento de 36 consorciados.

Capitalização - Segundo Jaques, o consórcio não é apenas um bom negócio para aquele que quer comprar a casa própria em longo prazo, mas também para quem quer capitalizar.

O diretor comercial explica que o cliente pode usar o dinheiro do consórcio para diversas finalidades: comprar um imóvel novo ou usado (casa ou apartamento, no campo e na cidade); adquirir um terreno para construir e reformar a residência.

Expansão geral - A Consórcio Conshop, que tem matriz em Santo André, registrou um aumento de 21,2% no primeiro semestre em relação ao mesmo período de 2006. A evolução se deu tanto em quantidade de cotas como em valores de créditos.

Segundo Celso Lourenço, gerente de vendas, neste ano já criaram dois grupos com crédito médio de R$ 80 mil. “Como atuamos principalmente no Grande ABC, notamos que a resposta ao crescimento se dá em virtude da flexibilidade que o consórcio oferece”, explica o gerente.

 

 

 

Administradoras avançam com o setor

 

 

O bom momento do setor de consórcio imobiliário também anima as grandes companhias do ramo. A Porto Seguro Consórcio, por exemplo, registrou no primeiro semestre expansão de 20% se comparado ao mesmo período de 2006.

Segundo o gerente Fábio Braga, os incentivos do governo federal e a concorrência do mercado são fundamentais para que as pessoas busquem uma forma para comprarem a casa própria.

Para Braga, esses fatores explicam o boom no mercado imobiliário – como o consórcio está paralelo ao mercado, a tendência é que o número de consociados aumente.

“As grandes vantagens são as parcelas baixas e também a ausência de juros”, completa.

Para o diretor-executivo da Rodobens Consórcio, Sebastião Cirelli, o que faz impulsionar o mercado imobiliário é o leque de opções que hoje é oferecido para as pessoas. Em relação ao primeiro semestre de 2006, a empresa cresceu 30% este ano.

Planejamento - “Quando surgem muitas propostas, as pessoas começam a pesquisar qual a modalidade mais acessível para seu bolso, e dentre as opções está o consórcio”, explica Cirelli.

Segundo ele, o consórcio, além de ser uma maneira de se conseguir comprar uma casa, é um investimento programado, ideal para quem não precisa de imediato do imóvel, e pode planejar a ação”, completa.


 

 

 

 

 


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