20 de agosto de 2008 09:15

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Dinheiro para casa própria bate recorde


Leda Rosa
Do Diário do Grande ABC


Recursos de R$ 155 milhões. Este é o total de financiamentos imobiliários liberados pela Caixa Econômica Federal no Grande ABC no primeiro semestre. Trata-se de um recorde, no montante e na comparação com o mesmo intervalo em 2006: 46% de aumento. O desempenho da Caixa consolida o boom imobiliário que as sete cidades vivem no momento, com destaques para São Caetano e Santo André onde os lançamentos de novos empreendimentos estão ocorrendo com maior intensidade.

Segundo a Caixa, os recursos alocados atenderam 3,3 mil contratos para aquisição de imóveis na região. Santo André é o município que mais mobiliza financiamentos: um em cada três reais do total disponibilizado é destinado a um mutuário da cidade. Nesse ritmo, a Caixa estima deter 90% da carteira de crédito imobiliário na região.

No primeiro semestre de 2006, os financiamentos do banco para aquisição da casa própria somaram R$ 106,03 na região. No mesmo período deste ano, o volume cresceu 46% e atingiu R$ 155 milhões.

Em 2006, a Caixa emprestou R$ 260 milhões para 6.750 mutuários. Os números foram recordes. Mas, caso o ritmo das contratações dos seis primeiros meses de 2007 perdurem, haverá um novo marco histórico da instituição: R$ 310 milhões, com incremento de 19,5% sobre o resultado anterior.

No segundo semestre, as perspectivas seguem favoráveis. “Principalmente se considerarmos a disponibilização de recursos de todos os agentes financeiros, bem como a movimentação da economia da região, incrementada pelos recursos previstos pelo PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) para os próximos anos”, diz o superintendente regional da Caixa na região, Marcelo Damião de Paula.

A captação da poupança no Grande ABC também acompanha os resultados positivos. No primeiro semestre foram R$ 155 milhões. “É um ritmo excelente”, diz.

Nas 33 agências que a Caixa mantém nas sete cidades, os recursos do SBPE (Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo) correspondem a aproximadamente 48% dos financiamentos imobiliários. O restante vem do FGTS, SFH (Sistema Financeiro de Habitação) e FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador).

Nos contratos da região, o prazo médio de financiamento é de 18 anos e o valor médio contratado é de R$ 47 mil.

O desempenho do Grande ABC acompanha a tendência nacional. No Estado de São Paulo, a aplicação total foi de R$ 3,78 bilhões, volume 73% maior do que o contratado em 2005, que chegou a R$ 2,19 bilhões.


 

Inadimplentes reclamam da falta de informações

 

 

Os financiamentos crescentes na região são vistos com desconfiança pela Ammiga (Associação dos Moradores e Mutuários Insatisfeitos da Grande SP). A entidade crê que, em alguns anos, boa parte dos novos mutuários não consiga pagar a dívida com os bancos.

“O mutuário não tem as informações necessárias na hora de assinar o contrato e, em um ano ou dois, não consegue pagar. Os bancos passam o que lhes convêm e omitem a evolução do valor das prestações”, diz Janaína Garcia Baeza, advogada da Ammiga.

A associação foi criada em 2002 e tem cerca de 350 associados, todos da região, a maior parte de Santo André.

Segundo os cálculos da entidade, no ABC a inadimplência alcança 70% dos mutuários do Grande ABC.

O gerente regional de negócios da construção civil da Caixa Econômica Federal, Marcelo Damião de Paula, diz que o índice de inadimplência é de 5% entre os 52 mil clientes do crédito imobiliário no ABC.

Sobre a falta de informações para os novos clientes, de Paula diz que “já há alguns anos a Caixa efetua entrevista individual para sanar dúvidas dos proponentes sobre o crédito e disponibliza canais de consulta porfone (SAC 0800-7260101) e internet: www.caixa.gov.br a todos os clientes.

Mesmo assim, Janaína acredita que atenderá muito mais clientes desta nova safra de contratações. “Minha demanda é retardatária. A população não sabe dos seus direitos”, diz, referindo-se ao fato de muitos mutuários só procurarem a associação depois de estarem com o imóvel para ser leiloado ou já ocupando uma nova casa.

“E todos têm direito à revisão judicial”, diz a advogada que alerta para o saldo residual dos contratos. “Nunca vi um contrato que tivesse a dívida quitada em 180 prestações. O saldo residual chega a ser o dobro do valor do imóvel.”


 

 

 

 

 


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