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Cresce a procura pela casa própria
Letícia Casado
Do Diário do Grande ABC
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Nos primeiros quatro meses do ano, a Caixa Econômica Federal no Grande ABC aumentou em 8% o volume de imóveis financiados, em relação ao começo de 2006. Foram R$ 72,6 milhões desembolsados para garantir a casa própria de 1.440 famílias (13% a mais no período). Os dados da região acompanham o ritmo da CEF em todo o País. Nos primeiros quatro meses do ano, as contratações bateram recordes, já que o montante foi 13% superior ao ano passado, chegando a R$ 4,26 bilhões, nível recorde. A expectativa é que o volume de imóveis financiados nas sete cidades em 2007 seja 30% superior ao de 2006.
Do total do Grande ABC, 475 unidades habitacionais foram pagas com recursos do SBPE (Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo), 20% a mais do que no ano passado.
Os financiamentos através do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) contratados no Grande ABC devem crescer cerca de sete vezes até o final de 2007. Para projetar o crescimento, os diretores regionais visualizam maior procura pelo serviço, já que a taxa de juros cobrada pelo FGTS caiu de 10,16% para 8,66% ao ano – para imóveis novos, de famílias com renda entre R$ 3,9 mil e R$ 4,9 mil, em todo o Brasil.
Apesar da boa expectativa para os meses futuros, os financiamentos através do FGTS despencaram na região neste quadrimestre: caíram 35%, passando de R$ 47 milhões, distribuídos entre 1,1 mil famílias em 2006 para R$ 28,2 milhões, cedidos a 587 famílias em 2007. E exatamente para promover o uso do FGTS que na semana passada o Conselho Curador da CEF reduziu a taxa das operações. A redução é estratégica, pois o SBPE oferece juros a 10% ao ano. Ou seja, a procura pelo FGTS está abaixo do potencial por causa dos juros maiores (10,16%).
FGTS VERSUS SBPE - “As pessoas preferiam financiar pelo SBPE por causa da taxa de juros. Agora, o FGTS vai sair mais”, garante o superintendente regional da Caixa para o Grande ABC, Everaldo Coelho da Silva. E completa: “é mais uma linha de recursos para a construção, e o tipo de financiamento com mais vantagens no mercado, que incentiva toda a cadeia produtiva.”
"Com a redução para 8,66%, a expectativa é recuperar a perda de espaço do FGTS e alcançar a meta de contratação, que está na ordem de R$ 200 milhões até o fim do ano” diz Marcelo Damião, gerente regional da Caixa. Em 2006, foram contratados R$ 140 milhões. “Houve retração, mas vamos recuperar para bater a meta”, afirma.
O destino de verbas da poupança para o financiamento habitacional é definido pelo Banco Central. Como a poupança tem um fluxo de entrada e saída de recursos muito mais acelerado do que o FGTS, é importante que o Fundo tenha uma responsabilidade maior no destino de verbas – daí a necessidade do governo em reduzir as taxas e estimular a contratação do FGTS. Além disso, há mais recursos disponíveis no Fundo do que na poupança.
"A movimentação de recursos do FGTS é mais estabilizada. A pessoa só sai se for demitida ou se quiser comprar uma casa”, diz Damião.
MAIS CALOTE - A redução dos juros deve atrair mais pessoas para o financiamento da casa própria, já que as prestações, mais baratas, vão comprometer menos a renda familiar. Segundo os responsáveis pela CEF no Grande ABC, a mudança já foi efetivada, mas deve demorar cerca de 30 dias para entrar em vigor.
O problema da Caixa a ser enfrentado a partir de agora, destaca Damião, é combater a inadimplência. Na região, o índice começou 2007 em 8% e a meta é terminar o ano com 5%. No começo de 2006 chegava a 11% da carteira.
Para resolver a questão, o gerente regional conta que a instituição já mudou o procedimento de cobrança e contratou novos escritórios de advocacia, a fim de aumentar os canais de negociação. O percentual de aprovação de crédito da Caixa é de 95% – bem alto, e com grandes riscos de fechar acordo com maus pagadores. Mesmo assim, a Caixa vai manter o nível de empréstimos.

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