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05 de janeiro de 2009 23:09
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O reaquecimento do mercado imobiliário no país começa a afetar o segmento de locação. Segundo imobiliárias do Grande ABC, faltam imóveis residenciais para alugar na região – principalmente de até três dormitórios. A escassez é maior na faixa entre R$ 400 e R$ 900. Este cenário de oferta menor que a demanda tem pressionado o custo de moradia – o valor do aluguel está até 30% mais caro neste ano. De acordo com o diretor de locação da Gonçalves Imobiliária, de São Bernardo, Douglas Gonçalves, São Caetano e Santo André são os municípios que estão mais “à míngua”. Além de casas, faltam apartamentos de um a três dormitórios para alugar. Já em São Bernardo e Diadema há carência de imóveis térreos e sobrados. “De um lado estão faltando investimentos na construção de casas, de outro as pessoas estão apostando cada vez menos em imóveis como opção de renda. Aplicar dinheiro num imóvel voltado para locação não é mais um bom negócio. Somente em momentos como esse, de baixa oferta (de imóveis) e elevada procura é que a rentabilidade cresce”, diz. Localizada em São Bernardo, a Focco Imóveis encontra a mesma dificuldade. Para o corretor da imobiliária Agnaldo Morini, além de casas, a procura tem sido grande também para galpões para fins comerciais. “Atendi recentemente um cliente de Guarulhos que procurava um local de mil m² para instalar sua empresa de logística na região, já que atende muitas lojas no Grande ABC. Mas rodamos as sete cidades e encontramos só um em Diadema”, relata Agnaldo. A imobiliária ainda tem dificuldades para garimpar imóveis à venda, e quando encontra os preços são considerados altos demais. “Já achei imóveis que valiam R$ 500 mil e o proprietário estava pedindo 700 mil”, diz. Com clientes na fila de espera, Caroline Souza, auxiliar administrativa da Hoffman Imóveis, de São Caetano, afirma que as pessoas acabam desistindo das casas e optam por apartamentos. Estes empreendimentos contam mais ofertas de locação, já que no ano passado 4.992 unidades habitacionais foram lançadas, segundo a Embraesp (Empresa Brasileira de Estudos de Patrimônio). A gerente Rosangela Montesano Arenas, da Imobiliária Gerty, de São Caetano, destaca que o problema é ainda mais grave na cidade que nos demais municípios. “Se durante o fim de semana eu tivesse 50 imóveis de até três dormitórios, entre R$ 400 e R$ 800, alugaria todos”, diz. “Isso só será possível se os investidores aplicarem mais na construção de imóveis destinados a locação”, conclui.
Locações avançam 2,21%, apesar da falta de opções, diz Creci
Verônica Lima
Apesar da procura maior que a oferta, o segmento de locação de imóveis mostrou ligeiro aquecimento em fevereiro. De acordo com a pesquisa realizada pelo Creci (Conselho Regional de Corretores de Imóveis do Estado de São Paulo), o número de novos contratos de aluguel cresceu em São Paulo 2,21% no segundo mês deste ano em relação a janeiro. Na Capital, o índice de locação evolui de 2,1453 para 2,1927 em fevereiro, quando foram alugados 1.024 imóveis. Na amostra dos dados, as casas foram as preferidas, com 52,54% do total. Além disso, 467 imobiliárias pesquisadas pelo Creci-SP registraram a devolução de 410 imóveis em fevereiro, número 15,21% inferior ao de janeiro. Para a delegada regional do Creci, Edeli Maria Azzi Savioli, os números da cidade se assemelham com os contabilizados no Grande ABC. Somente o número de inadimplência foi diferente, segundo as imobiliárias consultadas pelo Diário. Em São Paulo, houve aumento de 5,57% no período, atingindo 5,95% dos contratos em vigor. Já no Grande ABC, as imobiliárias garantem que não registraram muitos casos de inadimplência neste ano – em razão da falta de opções de casas, as famílias permaneceram no mesmo imóvel. “Hoje quem está locado não está pensando em sair, pois não há muita opção no mercado para troca. Sendo assim, as pessoas aqui da região estão em dia com o aluguel”, esclarece a gerente da Imobiliária Gerty, Rosangela Montesano Arenas. Ainda segundo a pesquisa do Creci-SP, houve maior número de altas (25) do que de baixas (16) nos valores médios dos aluguéis em fevereiro em comparação com janeiro. Aos mesmos resultados chegam os preços no Grande ABC. No entanto, principalmente os imóveis com dois ou três dormitórios ficaram mais caros com a procura maior que a oferta – e não somente o de três quartos, como foi verificado pelo Creci-SP em São Paulo, nos bairros Aclimação e Ibirapuera. A locação passou de R$ 1.326,92 em janeiro para R$ 1.388,89 em fevereiro nestes lugares. Já o aluguel que mais baixou em São Paulo foi o de três dormitórios; nesse caso, localizado nos bairros Aeroporto e Lapa. As vendas de imóveis usados, tanto na Capital quando na região, caíram. Em São Paulo, 1,73%. Já nas sete cidades, a delegada regional do Creci-ABC garante que o percentual deve ter sido próximo, mas que essa variação é pequena e normal para o período, e não afeta o mercado.
Construtoras investem em novas unidades
Do Diário do Grande ABC
De olho na crescente demanda, as construtoras decidiram abrir os cofres e incrementar os investimentos em novos condomínios horizontais e prédios de um a três dormitórios. Uma das que não querem perder a oportunidade – e que em junho entregará 32 casas de um novo condomínio em São Bernardo – é a Construtora Raíza. De acordo com Fernanda Raíza, a empresa percebeu que havia falta de opções neste segmento. “Acabamos de entregar prédios de dois dormitórios. Vamos entregar mais 100 no inicio de 2008”, conta. Outra que não abriu mão de participar deste filão do mercado é a Mazeto, construtora de São Caetano. Segundo o gerente comercial, Michael Gonçalves, já no começo deste ano entregaram um prédio em São Caetano de dois dormitórios. Até 2009, entregarão outro residencial no mesmo município, com 46 apartamentos de 69 m² com dois e três dormitórios. “As obras vão começar em junho no bairro Barcelona. Terá um estilo neoclássico e a entrega está prevista para 36 meses”, comenta Michael. Também a Construtora de São Bernardo M.Bigucci irá neste ano lançar cinco imóveis de dois e três dormitórios, todos no Grande ABC. “Especialmente em Santo André e São Bernardo teremos grandes lançamentos com grandes áreas”, diz o gerente de novos negócios, Rômulo Costa.
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