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Bancos financiam compra de materiais para reformar casa
William Glauber
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O financiamento da compra de material de construção para a reforma da casa própria, alugada ou cedida permite a renovação do visual ou da estrutura do imóvel para proprietários que não têm condições de executar os serviços à vista. Além de facilitar o pagamento, essa modalidade de crédito movimenta milhões de reais no Grande ABC. Até setembro deste ano, a Caixa Econômica Federal emprestou mais de R$ 9 milhões na região por meio do Construcard – cartão de crédito que financia reformas de residências.
A Caixa oferece dois modelos de Construcard. Clientes com renda entre R$ 300 e R$ 1,5 mil podem solicitar empréstimos de até R$ 7 mil para custear a reforma. A linha de financiamento capta recursos do FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço) e, por isso, as taxas de juros são, em média, de 1,69% ao mês. O cliente tem até 72 meses para quitar a dívida com o banco. Do total emprestado, 25% pode ser destinado para o pagamento da mão-de-obra.
Com recursos próprios da instituição, a Caixa também oferece um segundo tipo de Construcard. Clientes com renda a partir de R$ 1,5 mil podem contratar empréstimo acima de R$ 7 mil. As taxas de juros, a partir de 1,69% ao mês, são estabelecidas conforme a análise de crédito. Nesse caso, o correntista tem de efetuar o pagamento da dívida em até 36 meses.
Em ambas as linhas de financiamento, o cliente tem carência de seis meses para fazer as compras. Nesse período, o proprietário pode pesquisar preços e comprar o material negociando os valores à vista. Enquanto não inicia o pagamento das parcelas referentes ao empréstimo, o cliente da Caixa quita apenas, mensalmente, os valores das taxas de juros.
Segundo o gerente de Mercados da Caixa no Grande ABC, Marcelo Damião, o perfil dos correntistas que solicitam o financiamento por meio do Construcard é composto basicamente pela classe média. “No entanto, aceitamos clientes com renda a partir de R$ 300.” Além disso, Damião ressalta que a concessão dos recursos para a reforma sai rapidamente em qualquer agência da Caixa.
O banco realiza previamente uma análise de crédito para avaliar o histórico do correntista. “A Caixa faz análise cadastral e de renda. A liberação também depende do limite emprestado”, explica Damião. Segundo o gerente, clientes que não têm contas na Caixa também podem solicitar o financiamento, no entanto, algumas exigências são impostas. “Dependendo da linha e do valor emprestado, o banco precisa de garantias como hipotecas ou alienação de um bem”, acrescenta.
Crédito – Além da Caixa Econômica Federal, outros bancos também oferecem linhas de financiamentos especiais para a reforma de residências. Entre as instituições, destacam-se Banco Brasil, Nossa Caixa Nosso Banco, Banco do Povo Paulista (ver tabela na página). Bancos privados como Bradesco, Unibanco e Real também garantem empréstimos.
Para famílias com renda mensal de até cinco salários mínimos, o Banco do Povo Paulista oferece empréstimos entre R$ 500 e 5 mil, com taxas de juros de 0,5% ao mês. O correntista quita a dívida em 48 meses. O Banco do Brasil financia entre R$ 100 e R$ 10 mil, com taxas de juros de 1,9% a 2,9% ao mês e prazo de pagamento de até 24 meses. A Nossa Caixa oferece empréstimos com taxas de juros média de 1,172% ao mês, e quitação em até 60 parcelas.
Varejo investe na venda a prazo
O varejo de material de construção investe pesado nas vendas a longo prazo ou financiadas para conquistar cada vez mais clientes. Para garantir faturamento, as empresas incentivam as compras por meio de concessão de créditos e, para isso, facilitam os pagamentos com cheques pré-datados, cartões de crédito e empréstimos em instituições financeiras ou bancárias.
A Leroy Merlin, com loja em São Caetano, oferece aos clientes duas modalidades de cartões de crédito e faz parceria com o Unibanco para garantir a compra financiada dos clientes. Segundo a gerente de Marketing, Carla Ramos, hoje todos os clientes querem realizar as compras parceladas para aliviar o bolso. “As classes C e D fazem compras parceladas por necessidade. Já classes mais privilegiadas querem aproveitar as oportunidades”, explica.
Segundo o gerente de Marketing da C&C, Mauro Florio, os clientes atualmente podem pagar à vista, com preços especiais, cheque, cartão de crédito, carta de crédito de consórcio e o Construcard, da Caixa Econômica Federal. “Temos também diversas linhas de financiamento em bancos”, acrescenta. A rede tem uma loja em São Bernardo e duas unidades em Santo André. - WG
Proprietário elogia desburocratização
O financiamento do material de construção para reforma ou ampliação da casa é a saída encontrada por proprietários para a realização de um sonho há muito tempo adiado, por não se adequar às condições financeiras da renda familiar. O Construcard, da Caixa Econômica Federal, permitiu a reforma das casas do empresário Jesimel Bomazi, de São Bernardo, e do diretor de esportes Alberto Rigolo, de São Caetano.
Bomazi adquiriu dois cartões no valor total de R$ 30 mil – um para ele e outro para a mulher, Flavia Guilherme. “Fiz uma reforma de tudo: troquei portas, janelas, piso de madeira. Só não financia a mão-de-obra”, diz Bomazi. O empresário teve carência de seis meses e, durante esse período, pôde pesquisar e negociar descontos à vista. A dívida tem de ser quitada em até 36 meses a partir do empréstimo.
A rapidez na concessão do cartão foi a principal facilidade encontrada por Bomazi. “Pedi numa segunda e na quarta-feira saiu a aprovação do financiamento. E foi simples: apresentei comprovante de renda, endereço e contrato social da minha empresa.” Com os dois empréstimos, Bomazi reformou dois imóveis: a própria residência, em São Bernardo, e outro patrimônio, em Santo André.
O diretor de esportes da Metodista e técnico da equipe de handebol Alberto Rigolo aproveitou o financiamento da Caixa, por meio do Construcard, para comprar parte do material da casa que constrói atualmente em Jacareí. “Foi uma boa alternativa do mercado porque você paga juros compatíveis.” Com R$ 22 mil emprestados, Rigolo pretende se mudar com a família para o interior em agosto do próximo ano e viajar diariamente para trabalhar em São Bernardo. - WG
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