Renda-se ao rococó: um quê de barroco traz luxo
Ângela Corrêa
Do Diário do Grande ABC
Menos é mais? Nem sempre. Pelo menos é o que uma parcela cada vez mais significativa de decoradores pratica ao utilizar objetos ao estilo barroco como as vedetes de seus projetos. O rococó surge em lustres grandes, pisos pretos, peças com detalhes dourados, papéis de parede, cortinas de veludo pesado, além de mobiliário escuro, repleto de frufrus.
Como manda a tendência, os elementos são exagerados, rebuscados e propositadamente envelhecidos. Misturado às correntes mais recentes que pregam a praticidade, o barroco tem tudo para dar uma roupagem aconchegante e luxuosa sem transformar a casa em uma réplica de saleta de museu.
O desejo de decorar cada vez mais os ambientes com objetos ostensivos e com cara de família vem de uma regra de comportamento já bastante debatida: as pessoas têm ficado cada vez mais em casa em seu tempo livre. A responsável número um por esse encarceramento voluntário é a violência. “O mundo está muito agressivo e há uma grande necessidade de florear o lar, torná-lo agradável. A praticidade já não basta para nós. Temos de valorizar as coisas da memória e fazer ambientes mais humanos, redefinindo a funcionalidade”, afirma o arquiteto Marcelo Rosenbaum, de Santo André, que se refere à tendência como barroca-mundana, por aliar o sacro ao rotineiro.
Assim surgem ambientes com computadores sobre escrivaninhas cheias de detalhes, lustres de cristal misturados a estantes high-tech e cadeiras cheias de contornos em contraponto aos eletrodomésticos de última geração na cozinha.
Um dos aspectos mais valorizados são os objetos antigos de família, que podem finalmente deixar a poeira os sótãos e ganhar um espaço cativo e, por que não, de destaque nos ambientes. Porém, o risco de errar e deixar o espaço pesado demais é diretamente proporcional ao rebuscamento das peças, por isso é bom optar por móveis e objetos realmente significativos para os moradores. “Esses elementos são muito arriscados, mas quem tem uma casa com alguma referência a esse estilo tem uma casa requintada, com cara de pensada, onde se sente que há moradores de verdade. Mas tem de ter muito bom gosto para coordenar tudo. Acredito que o ideal é trabalhar com cores diferenciadas na parede, opostas ao estilo, como lavanda e outras cores fortes. Nada de vermelho, que entristece o ambiente”, afirma o arquiteto Moreno, de São Bernardo. Na mostra Casa Cor deste ano, que terminou no último domingo, dia 10, ele abusou das cadeiras estilo Luís XV e das pastilhas douradas em frente à pia.
Na mesma mostra, o arquiteto e paisagista Sergio Gonzalez, responsável pela Galeria das Cores, ousou ao colocar um espelho francês de moldura dourada do século XIX e inspiração rococó junto a uma explosão de cores cítricas. “O mix não levou em consideração as épocas em que os objetos estão inseridos. O importante é não deixar o ambiente datado”, afirma Gonzalez.
A arquiteta Ângela Tasca, de São Caetano, elege o mobiliário como ponto de extravagância em seus projetos. “As cadeiras da época com menor número de detalhes dourados são bem interessantes para quem quer usar a tendência em seus ambientes. Detalhes menores como um pé de mesa bem trabalhado ou um console no mesmo estilo são toques ótimos para quem não quer ousar muito”, aconselha. Ângela também diz que técnicas de pintura podem amenizar o efeito barroco nos móveis. “A pátina é a principal delas”, afirma.
Quem combinar em um mesmo ambiente cortinas de tecido pesado, móveis ou pisos escuros, tem de caprichar no projeto de iluminação. “Esses elementos não são muito fáceis e podem entristecer a casa. Além dos lustres de cristal, que também compõem o ambiente barroco, pode-se abusar da iluminação âmbar e amarelada”, diz Ângela.
Rococó (Do francês rococo):
Diz-se do estilo ornamental surgido na França durante o reinado de Luís XV (17710-1774), e caracterizado pelo excesso de curvas caprichosas e pela profusão de elementos decorativos, como conchas, laços, flores e folhagens etc., que buscavam uma elegância requintada, uma graça não raro superficial.
Fonte: Dicionário Básico da Língua Portuguesa Aurélio |