Aquecedor de piso ‘espanta’ frio
Bruna Queiroz
Especial para o Diário
Tecnologia bastante difundida na Europa e em países que registram invernos rigorosos, como EUA e Canadá, os aquecedores de piso chegaram ao país há pouco mais de um ano e meio e pretendem se encaixar no mercado nacional como opção diferenciada para enfrentar com conforto as baixas temperaturas da estação.
A vantagem frente ao sistema de ar-condicionado é que o piso radiante aquece o ambiente por meio de irradiação de calor, em vez de simplesmente esquentar o ar circulante. O resultado é um aquecimento mais homogêneo, que proporciona maior conforto térmico. “Não há aquela sensação incômoda de sufocamento”, compara Irineu Armando Polisel, da Bella Telha Materiais de Construção, de Mauá, que há dois anos trabalha com pisos aquecidos da marca nacional CLA.
De acordo com Cláudio Soares, da paulistana Climaquent, os pisos radiantes contribuem para eliminar a umidade do ambiente, evitanto o aparecimento de mofo e bolor. No entanto, o arquiteto Arnaldo de Muzio Júnior, de São Bernardo, rebate o argumento de Soares, e adverte que o sistema pode até intensificar a umidade. “Você pode fazer o ambiente ficar mais quente e trazer ainda mais umidade”, diz.
Frio, quente ou laminado, qualquer tipo de piso pode receber o sistema – até mesmo os que têm os carpetes como revestimento. É possível climatizar todos os ambientes da casa, porém a sugestão especial vai para os quartos de crianças e banheiros. Além de não interferirem no layout e na decoração do espaço, os sistemas mais recentes não emitem ruídos. “A pessoa só vai saber que tem porque um dia comprou”, brinca Soares.
Instalação – A colocação dos pisos aquecidos é mais fácil em ambientes ainda em construção, nos quais a instalação leva de um a dois dias para ser concluída. Para áreas já construídas, a única saída é apelar para a reforma, o que atrasa bastante o processo.
Quem não abre mão de manter a residência aquecida, mas mesmo assim não está disposto a encarar a quebradeira e os transtornos provocados por uma reforma, tem uma opção mais prática: os painéis radiantes, que são aplicados nas paredes e podem ser posicionados em qualquer parte do cômodo.
Esse método, que se assemelha mais ao sistema de ar-condicionado, tem em comum com a tecnologia dos pisos aquecidos a característica de climatizar o ambiente por igual, apresentando um resultado final equilibrado.
Depois da conclusão da instalação, a temperatura média do piso fica em torno de 25 graus. Nos dias quentes, o sistema pode ser desativado para não causar sensação de desconforto. Irineu Polisel, da Bella Telha, destaca que o risco de choque está descartado, mesmo no sistema elétrico, já que a fiação é encapada com silicone.
Investimento – A nacionalização dos produtos trouxe benefícios para os consumidores, como assistência técnica mais eficaz e redução de custos de instação. Essa otimização abre uma janela de oportunidade para clientes interessados em adotar a tecnologia inovadora.
“O preço dos pisos aquecidos baixou agressivamente. Eles estão mais acessíveis à população, e só não há maior adesão por falta de divulgação. As pessoas ainda não conhecem bem essa tecnologia”, explica Cláudio Soares.
Os valores variam de acordo com a área que vai receber a aplicação. Pelo sistema Climaquent, para um ambiente de até 10 metros quadrados, a instalação sai por R$ 129 o metro quadrado. O preço recua à medida que o espaço a ser aplicado aumenta. Para preencher 100 metros quadrados, o custo cai para R$ 99 o metro quadrado.
Os termostatos – aparelhos utilizados para controlar a temperatura dos pisos – estão disponíveis nas versões analógica, com botões de rádio, e digital, em que há controle mais preciso da temperatura. Esses últimos são em média R$ 80 mais caros. O preço médio dos termostatos tradicionais gira em torno de R$ 120. Com potência entre 80 a 120 watts por metro quadrado, e voltagem de 110V ou 220V, os aquecedores consomem aproximadamente 7 Kwh de cada ambiente por mês.
Feitas as contas, e pesando os prós e contras, a conclusão é que os custos para se usufruir dos pisos aquecidos podem estar mais acessíveis do que antes. No entanto, é necessário agregar aos gastos todas as providências necessárias para manter o sistema funcionando, e a partir dessa somatória avaliar se o investimento na tecnologia compensa. “Eu, particularmente, não gosto do sistema de piso aquecido, e não uso em minhas obras. O custo/benefício não compensa”, declara o arquiteto Arnaldo Muzio Júnior.
Cláudio Soares, da Climaquent, rebate essa avaliação e defende o investimento na instalação do sistema. Ele ressalta que o gasto do proprietário retorna ao bolso em caso de venda do imóvel, por conta da valorização. “O fato de ter um piso aquecido valoriza muito a casa.”
Onde encontrar – Arnaldo de Muzio Jr.: 4368-1040; Climaquent: 5549-3605; Bella Telha: 4555-5444 |