Técnica 'veste' paredes com estilo
Luciele Velluto
Especial para o Diário
A texturização de paredes ganhou novidades. A técnica é utilizada na decoração há dez anos, e já foi usada com relevo bem marcado, de todas as cores, e com formas cada vez mais inusitadas. Atualmente, as formas recebem contornos mais suaves, ganham novos produtos e matérias-primas, como papel e fibras naturais, o que realçou os ambientes, dando um toque original aos espaços.
Rose Corsini, designer de interiores de São Bernardo, conta que muitos clientes pedem para que a textura faça parte dos projetos de decoração. “São várias técnicas com a utilização de massas industrializadas ou artesanais, com as quais se pode fazer vários tipos de acabamento.” Das massas industrializadas, a design prefere as brancas, já que oferecem maior opção de trabalho com cores ou gel envelhecedor. Já as massas artesanais têm menor durabilidade.
Lenita Nemer, artista plástica de Santo André que trabalha com texturização de paredes há dez anos, afirma que a demanda pelo serviço é expressiva. “Tem muita procura. É um trabalho de personalização. É como vestir as paredes. Valoriza muito o ambiente quando aplicado em apenas uma parede.”
Uma das técnicas mais usadas por Lenita, e também uma das mais pedidas pelos clientes, é o tisue paper. Também estão em alta as listras verticais ou horizontais, a mistura do fosco com o brilhante, degradê de cores, técnicas que imitam couro e fibras naturais e a texturização para dormitórios infantis.
“Alguns já não estão sendo mais usados, como o marmorizado. A escolha da técnica a ser aplicada depende do efeito que se deseja porque tem de estar em sintonia com o ambiente. É preciso ter bom senso para saber o que vai ficar bom. Sempre tento orientar o que combina.”
O tisue paper é uma técnica conhecida pelo uso do papel forme, parecido com o papel de seda. “É um relevo bem sutil e combina com qualquer tipo de decoração. É uma das mais baratas, fácil de remover ou de pintar por cima sem perder o efeito da técnica”, diz a artista plástica. Para a aplicação, é preciso um fundo neutro, de preferência branco, e uma mistura de cola especial com tinta e fixador, que serão utilizados para colocar o papel forme na parede. Depois da secagem, um esmalte é aplicado, dando o acabamento final à técnica.
Uma das recomendações da designer Rose Corsini é a utilização de mão-de-obra especializada. “Existem profissionais que cobram por metro quadrado. Pode parecer caro, mas terá um efeito que vai durar bastante. Às vezes, se gasta mais pelo desperdício ou porque vai ter de contratar alguém para arrumar o que foi feito por conta”, explica. “É cansativo realizar texturização sozinha. Tem de gostar de trabalhos manuais e ter noção do que se está fazendo, para não ter problemas de efeito ou diferença de cores.”
A artista plástica Lenita Nemer adverte que quem não conhece a técnica pode ter dificuldades para fazer a aplicação. “Requer muito treino, pode dar problema de emenda e apresentar diferença na coloração da parede.” Já a manutenção pode ser feita normalmente. Algumas técnicas aceitam até a limpeza com um pano úmido.
A arquiteta Simone Tasca, de São Caetano, afirma que houve uma explosão na texturização de paredes, e a técnica acabou sendo abolida por alguns profissionais. Para ela, a mais recomendada é para ambiente externo. “Na fachada é sempre uma boa idéia, pois dura bastante. Mas a aplicação deve ser feita de forma mais homogênea e mais limpa, não tão marcada como está se usando agora até em partes internas.”
Sujeira - Com a idéia de dar um toque diferente ao seu apartamento, a dentista Eliziane Duzi, de Santo André, procurou a artista plástica Lenita para fazer a texturização da parede. “Achava que era caro, mas pelo resultado vi que não era. As pessoas vão à minha casa e gostam muito, pedem o telefone do artista.”
Eliziane queria dispor de um diferencial no acabamento, porém se preocupava com a sujeira provocada pela obra, e se surpreendeu com o resultado. “Não fez sujeira nenhuma. Foi melhor do que eu esperava.”
No projeto, Lenita só iria fazer a texturização na sala, onde foi aplicada a técnica do tisue paper, porém a dentista gostou tanto do resultado que resolveu fazer no lavabo listras horizontais e no quarto, com fibras de ráfia, que são tratadas para não embolorar. “Não tinha idéia do que queria. Vi as amostras até definir porque queria algo bonito e delicado, mas sem ser extravagante.”
Na casa de Ana Cristina Pedro, empresária de Santo André, além das texturização com papel forme na escadaria, também foi decorado o quarto da filha com libélulas e borboletas em alto relevo com a técnica stencial, que usa um molde do desenho para a colocação da massa. “Minha filha ajudou a escolher. Ficou muito bonito.”
Para escolher a textura a ser aplicada, Ana Cristina procurou vários profissionais para mostrar os trabalhos já realizados e os orçamentos. O tisue paper foi escolhido por causa do efeito e da fácil remoção, no caso de não querer mais a textura na parede. Ela conta que não tentaria aplicar qualquer técnica na parede.
“Não me atreveria fazer algo que eu não tenho conhecimento. Preferi procurar o profissional porque existe várias opções, e sempre diferentes do que a gente está acostumada.”
Onde encontrar - Rose Corsini: 9971-7942, Lenita Nemer: 8323-1819, Simone Tasca: 4227-1173. |