Piscina requer manutenção no frio
Luciele Velluto
Especial para o Diário
Alegria no verão, as piscinas são esquecidas com a chegada dos dias frios. Com a temperatura baixa, o uso despenca, porém a manutenção é fundamental. O tratamento químico e a limpeza manual da água podem ser diminuídos para uma vez por semana. Esse cuidado evita gastos com a troca d‘água ou tratá-la quando apresenta aspecto turvo. Já a filtragem e a movimentação da água devem ser diárias.
Fabricantes, construtores e técnicos não recomendam que a piscina seja esvaziada. Se for de alvenaria ocorre o ressecamento dos materiais e trincas no azulejos. No caso da fibra pode haver deformação e rachaduras. As de vinil podem soltar a lona e sair da posição correta. “É o peso da água que dá a sustentação e é responsável pela pressão, que é calculada na construção da piscina”, diz Vander Luiz Silva, gerente da Mizunami, empresa de construção de piscinas de vinil, de São Bernardo. Outro motivo para não esvaziar a piscina é o preço para trocar a água. “É um desperdício. Água é um bem caro. Para isso existem produtos que não deixam perder a água”, afirma Fábio Zanetti, coordenador de comunicação da Sodramar, fabricante de piscinas e componentes, de Diadema.
Para manter a água em condições satisfatórias, recomenda-se fazer o tratamento e a limpeza manual pelo menos uma vez por semana. “Sempre tem de clorar. O que difere é que a pessoa pode usar menos do que usaria no verão. A medida para a estação quente é quatro gramas de produto para cada mil litros de água, a cada dois dias. Já no frio pode ser uma vez por semana, apenas para combater os microrganismos”, diz Antonio Silveira, da Proágua, de São Bernardo, especializada em itens para piscina.
Os gastos mensais com produtos como cloro e algicida para uma piscina de 40 mil litros giram em torno de R$ 40. O clorador flutuante, um recipiente no qual as pastilhas de cloro são dissolvidas, substitui manipulação diária dos insumos químicos.
Alécio Moretti, da Pic Piscinas, de São Bernardo, destaca o cuidado com o PH da água (nível de acidez), para que o efeito do produto aplicado seja maior. “O controle de PH se faz por meio de um aparelho de teste. É uma fita que mede o teor. O correto é estar entre 7.4 e 7.6. Se estiver mais baixo ou alto, coloca-se um produto regulador.” O PH baixo ou alto pode causar irritação nos olhos e amarelado nos cabelos do usuário.
Ozonizador – Existe também a opção de tratamento d‘água sem uso de produtos químicos. O ozonizador é um aparelho que capta oxigênio do ar, quebra as moléculas e mistura o ozônio na água, matando bactérias e algas. Já o ionizador emite íons de cobre que eliminam microrganismos.
A água parada desenvolve algas e bactérias, contribui para a proliferação de insetos, ocorrência de doenças e também pode render multa da Cetesb ou da prefeitura. “Quando a água fica turva, gasta-se três vezes mais cloro e algicida. É preciso usar outros produtos que decantam a sujeira e escovar e limpar o local sujo. Bem mais caro e trabalhoso”, diz Vander Luiz Silva, gerente da Mizunami.
Os filtros devem ser acionados no mínimo duas ou três horas por dia. Além da limpeza, ajudam a movimentar a água. Dependendo da sujeira acumulada na piscina, a aspiração e a limpeza manual podem ser reduzidas para uma vez por semana. “A bomba da piscina funciona como qualquer motor. Quanto mais tempo parado, pior”, afirma Valdevino Francisco do Santos, da Alpha Limpeza e Conservação, de Diadema.
As capas ajudam a protegar a piscina e diminuem o risco de acidente, mas apenas cobrem o local e não tratam. O mercado dispõe de capas com bolhas, que reduzem a perda de calor da água para o ambiente.
O aposentado José Coleti, de Santo André, não cuida da piscina de sua casa da mesma forma que cuida no verão, mas não deixa de tratá-la. “Diminuí a quantidade de produtos, mas até por uma questão de estética e higiene, continuo limpando e aspirando. Faz parte do meu quintal.” Ele diz que o gasto com a piscina não tem retorno porque o espaço não é utilizado como no verão. Mesmo assim, Coleti nunca a esvaziou por causa dos problemas que podem afetar a estrutura.
Para ajudar a manter a água em condições de uso, Coleti comprou uma capa para evitar sujeira e diminuir a evaporação, além de reter calor no inverno. “Pensei em aquecer para poder usá-la o ano todo, mas é caro. Também teria de cobrir para as pessoas não saírem no frio. O custo sai mais alto ainda.”
O securitário Thomaz Tescaro, de Santo André, deixou a água da piscina ficar verde, e entrou no vermelho. “Já cheguei a abandonar. Tive de gastar muito mais do que se tivesse tratado toda semana porque tem de fazer um tratamento com muitos produtos e passar o dia inteiro limpando.” Agora, Tescaro gasta pelo menos uma hora e meia por semana para manter a água limpa, e instalou um timer para o filtro ser acionado três vezes ao dia por uma hora.
A alternativa que o securitário encontrou para contornar o problema da evaporação foi utilizar a água da chuva para completar o tanque. “Diminui o gasto com água, mas é preciso tratar para não contaminar a piscina que já está limpa. O tratamento é praticamente o mesmo.”
Fabricantes e construtores recomendam a construção e reparos na piscina nesta época do ano, período em que as empresas do setor têm maior disponibilidade para executar projetos. É possível também conseguir promoções ou vantagens como maior parcelamento para pagamento da obra. De quebra, dá tempo para o proprietário aprender os cuidados básicos e o funcionamento da piscina para aproveitá-la melhor no verão.
Onde encontrar – Sodramar: 0800-7722337; Hidropool: 4125-9086; Mizunami: 4352-5800; Proágua: 4368-4368; Pic Piscinas: 4356-3996; Alpha Limpeza e Conservação: 4091-4307.
Aquecedores e cobertura têm demanda
Especial para o Diário
O frio aumenta procura por soluções para que a piscina seja aproveitada com temperatura baixa. Entre os equipamentos vendidos no mercado dois se destacam: aquecedores e cobertura inflável.
Segundo Rodolfo Alves, técnico da Hidropool, de São Bernardo, os dias frios aumentam a procura por aquecedores, como os trocadores de calor. “Ele é dimensionado de acordo com o volume d‘água. É elétrico e econômico. Para uma piscina de 30 mil litros, o preço do trocador fica na faixa de R$ 4 mil.”
O trocador de calor funciona com um sistema de gás. Retira o calor do ambiente e repassa para água. Demora de oito a dez horas para aquecer a piscina. Segundo Alves, o aparelho pode acrescer, no máximo, R$ 200 por mês na conta de luz se for usado constantemente.
Também há aquecedores movidos a energia solar. “Se tiver uma temperatura que possa aquecer as placas, vai funcionar muito bem. Só vai demorar mais para aquecer”, explica Fábio Zanetti, coordenador de comunicação da Sodramar, de Diadema. Outro produto conhecido são as caldeiras a gás.
Uma novidade é a cobertura inflável chamada de Viniveron, da Mizunami. Feita em vinil, a cobertura é inflada por meio de exaustores, com baixo consumo de energia, criando uma redoma que retém calor. Há duas opções de acesso à câmara: modelos com zíper e também porta anti-câmara, mais aconselhável para clubes e hotéis.
O tamanho é projetado conforme a piscina ou área escolhida pelo proprietário. A cobertura é fixada por meio de uma base, que deve ser preenchida com água. O preço para uma piscina de quatro metros de largura por oito metros de comprimento é R$ 7 mil. |